sábado, 17 de dezembro de 2011

Crônica de natal: Chester

Era um dia ensolarado e quente de dezembro, e eu estava andando pelas ruas da cidade desesperada a procura de um peru. Dentro de alguns dias, aconteceria a ceia de natal da minha família, e eu ainda não tinha o maldito peru. Você pode sentir o desespero disso, não?

Aparentemente, eu e o resto do mundo estávamos a procura de produtos natalinos, tais como panetones, presentes de última hora, e, é claro, perus (os malditos perus!). As ruas estavam lotadas de pessoas tão desesperadas como eu, andado apressadas sem se importar com coisas supérfluas como o verdadeiro significado do natal e idiotices assim (ora, todo mundo sabe que o nascimento de cristo não foi no natal, e essa baboseira de significado do natal é só estratégia de marketing), e a tensão pré-natal estava no ar.

Eu já havia ido à cinco supermercados diferentes, mas infelizmente nada de peru. Panetones, presentes, pisca-piscas e bolas, sim, tudo pronto, menos o principal. "Eu já posso até ver a cara da minha sogra quando formos jantar. Ela vai fazer uma cara decepcionada e dizer: 'Sem peru? Que triste.' Vaca." - Eu penso comigo mesma.

Então, no ato de atravessar a rua, eis que eu noto a minha salvação: Um supermercado aberto. "Melhor sorte na sexta vez" - Eu desejo, desanimada. Adentro o recinto, embalada, esperando que eles ainda tivessem perus. Bem, os perus tinham acabado, fui informada lá dentro , mas ainda tinha chester.

Chester! Seria essa (não tão) pequena aberração da natureza minha salvação? Todo mundo sabe que o chester é uma ave geneticamente modificada para parecer com uma galinha gigante. Claro que, diferentemente do peru, ela tem ossos tão grandes como os da galinha (proporcionais ao seu tamanho). Mesmo assim (e por isso mesmo), eu não estava tão segura de que minha família iria gostar de ter um frango gigante ao invés de um peru. Sem opções, eu levei o chester mesmo.

Já em casa, enquanto eu prepara a ceia, eu divaguei sobre a origem do chester que iríamos comer essa noite. "O que é um chester?" - Eu me perguntava - "Alguém já viu um chester? Será que chester realmente existem ou é isso que eles querem que eles querem que a gente pense?" Como você deve ter percebido, eu sou um pouco paranoica. Não muito, mas o suficiente.

Na hora da ceia, tudo estava correndo muito bem. O meu salpicão foi muito elogiado por todos (Eu mesma não comi dele, pois não acredito que doce e salgado ficam gostosos misturados), e a alegria estava no ar. Então, eu resolvi trazer o chester, que afinal era o prato principal.

Fui até a cozinha e peguei o tal chester, posicionando-o no meio da mesa. Eu levantei a tampa, e esperei pelos comentários.

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